Soneto de devoção

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O amor que te devoto
É quase sempre um desatino
Com pureza de garoto
E um fogo libertino

Tem tempero mexicano
E um toque clandestino
Maturado ano a ano
Fermentado em bom tanino

Tipo um predador que ronda
Tipo a fé de um palestino
Certo como mar e onda

Certo como o meu destino
Minha vida é uma milonga
Tu, meu tango argentino

 

Soneto Natalino

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Esqueça esse papo de Papai Noel
Abra a janela, ou saia na rua
Escolha uma estrela brilhante no céu
Que possa ser minha e possa ser sua

Esqueça os pinheiros artificiais
Esqueça da lenda do homem da lua
Enfeites de plástico(todos iguais)
Escolha uma estrela que possa ser sua

Então a divida com qualquer pessoa
Porque a vida é uma faísca
E nenhuma chispa lampeja à toa

Porque essa noite é tão especial
Esqueça das luzes de pisca-pisca:
Contemple a Pura Luz do Natal

 

Bruno Felix

Soneto ao Novo Amor

Foi de súbito que um dia senti

Que nossas longas e várias conversas

Sobre os assuntos mais triviais

Ganhavam enorme importância

.

Senti em seus gestos mais naturais

Bem mais que beleza, mais que elegância

Nossas bocas fremiam incontroversas

Foi assim que não resisti

.

No momento em que a voz emudece

Quando o toque das mãos é prece

E no brilho dos olhos a alma fala

.

No fundo do peito a saudade cala

Toda angústia ou dor se esquece

Nesse instante o amor floresce.