Micro ensaios I: da escrita

Micro ensaios:

I – Da escrita

É mister o equilíbrio
Entre o doido e o douto
Pra que se crie um novo Dosto
Buscar a perfeição
Até que se perca a feição
Afeiçoar-se à escrita
Escravo, síndrome de Estocolmo
Estocando a duras penas
É preciso vida e erudição
Mas cuidado:
O excesso de rudimentos
Pode torná-lo rude.

Leonid_Pasternak_001

Imagem: Leonid Pasternak – The passion of creation, óleo sobre tela.

Pequena reflexão

Às vezes encaramos os pequenos acontecimentos da vida assim como os descrevi: pequenos. Ou pior: por serem pequenos, muitas vezes sequer os encaramos. Refleti hoje sobre isso ao chegar em meu trabalho e ouvir meu cd tocando… Lembrei-me de quando eu não tinha coragem de cantar. Do tempo que perdi até me “destravar” e tomar umas aulinhas de técnica vocal depois de adulto. Tudo isso porque a primeira vez que ouvi minha voz cantada em uma gravação, não gostei. Não me acostumava a ouvir minha própria voz. Interessante como uma coisa tão pequena pôde me afetar por tanto tempo. Mais interessante ainda é o ponto para onde levei minha pequena reflexão:

Acostumar-me a ouvir a própria voz cantada foi um pequeno acontecimento que jamais devo menosprezar: Se eu tivesse desistido ali, o que seria de mim hoje fazendo poesia e tendo que conviver diariamente com os gritos da própria alma?

Estado de emergência

Falta coragem

De fazer falta

Falta a fala

Falta.

Faltam pecados

Faltam padres

E pecadores

Faltam pescadores.

Falta água.

Falta teto.

Falta tudo.

Falta nada:

Sobra.

Sobram caras

Assombradas

Sombras

Taras.

Andam soltos velhos fantasmas

De um tempo em que não faltava

A boa e velha vergonha na cara.