Filosofando: à direita do Pai.

Meu nome é Bruno e garanto que, assim como o inferno está cheio de boas intenções, à direita do Pai certamente há toda sorte de inventores e artistas, o que demanda uma vastidão de cadeiras (quisera eu que esta fosse a prova do infinito conceitual) para que os mesmos tomem confortável assento eterno.
Imagino que ali (agora adentro o ramo das suposições), algum querubim já tenho posto a harpa de lado ao ouvir Bach e Mozart em pleno embate melódico com Hendrix e Stevie Vaughan, em um sarau onde BB King, T-Bone, Chester Burnett e outros parecem desatentos ao tema, porquanto questionam Rev. Gary Davis acerca das possibilidades jurídicas de trazerem Robert Johnson às mesmas cadeiras.
Percorrendo o amplo (infinito?) salão, e claro, ainda à direta do Pai, verifica-se que certamente o Filho não precisou operar nenhuma transmutação de líquidos. Isso porquê há séculos já tomaram assento os inventores do vinho e da cerveja.
E tudo segue de bom a melhor, pois quem inventou o ar condicionado também já deve ter sua cadeira em bom lugar.

 

 

 

 

 

 

 

Soneto ao Novo Amor

Foi de súbito que um dia senti

Que nossas longas e várias conversas

Sobre os assuntos mais triviais

Ganhavam enorme importância

.

Senti em seus gestos mais naturais

Bem mais que beleza, mais que elegância

Nossas bocas fremiam incontroversas

Foi assim que não resisti

.

No momento em que a voz emudece

Quando o toque das mãos é prece

E no brilho dos olhos a alma fala

.

No fundo do peito a saudade cala

Toda angústia ou dor se esquece

Nesse instante o amor floresce.