Malabarismos

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O excesso explicado através do mínimo.

Por isso escolhi um Haicai para ilustrar o momento:

Há duas semanas mergulhei de cabeça no projeto literário mais gostoso que já fiz até hoje, motivo de minha ausência por aqui. Enquanto me divirto com o malabarismo de conciliar trabalho, família, música, faculdade e escrita (meu heterônimo tem exigido textos diário e pontuais), tive o insight desse belo Haicai que datilografei assim que o tempo me permitiu.

PS: dia quente e corrido aqui no sudoeste de Minas Gerais.

Abraços múltiplos,

Bruno Félix

A criação em quatro noites

Era a música complexa
Demais para a noite
Para as criaturas da madrugada
E Deus disse: “Haja Blues”
Deus ouviu que o Blues era bom,
Viu que dançavam, bebiam, fumavam,
Amavam no embalo do som
Assim foi a primeira noite

Então Deus separou o simples
Do sofisticado. Deu a estes o sopro
E um belo teclado. Deu mais swing nos pés
E disse maravilhado: Faça-se o Jazz.
Passaram-se tarde e manhã
E nasceram mais melodias
Deus viu que aquilo era bom
Que a Criação era sã

Ora, Deus não quis que perdessem
Aquela bela harmonia no ar
Então no terceiro dia
Disse: “Ajuntem tudo num só lugar
As harmonias e melodias dos homens
Encham discos com as canções
Que sejam férteis e multipliquem-se!
Encham a Terra com a Boa Música.”

E Deus viu tudo o que havia feito
E tudo havia ficado muito bom
E na quarta noite a criação
Por si só fez um novo toque
E Deus, ouvindo tal emoção
Abençoou o inédito Rock
E dizendo assim o santificou:
Let there be rock! Let it roll, baby, roll

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Blues e Poesia na 16ª Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto

Sábado, dia 18, participarei novamente da Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto. Nessa edição, representarei minha cidade ao lado dos Acadêmicos da APC, na qualidade de Membro Honorário. Em nossa mesa, pretendo contar um pouco da história do blues e como esse gênero musical influenciou não só minha música, mas também minha escrita. Alguns poemas d’O Busto de Adão serão recitados, sublinhados e/ou intercalados por clássicos do blues de Robert Johnson (sim, vou levar um violão para a Feira do Livro!). Ah, atualizei a AGENDA, mas fiquem de olho, semana que vem tem mais novidades musicais!

Clique no link abaixo para acessar a programação completa do evento!

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Abraços, e até lá!

Há um blues em cada esquina

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Existe um blues escondido em cada tapa
E nos olhos que se abrem de manhã sem ver um pão
Em cada dose que abrevia a vida ingrata
Existe um blues em cada esquina esperando uma canção

Está nos pés descalços que sangram na calçada
Está no corpo dolorido que não conhece um colchão
Está na fome que atravessa a madrugada
Existe um blues em cada esquina esperando uma canção

O jornal já não sente o que retrata
Enquanto algum poeta espera pela inspiração
Todos os dias a polícia morre e mata
Enquanto o blues de cada esquina não encontra uma canção

Está no corpo da menina explorada
Está na vida limitada pela falta de instrução
E tudo isso ecoa pela madrugada
Existe um blues em cada esquina esperando uma canção

O egoísmo e a intolerância matam
O poeta é um verme rastejando pelo chão
Num banquete os políticos se fartam
Eu ouço um blues em cada esquina, esperando uma canção


 

 

Clipping

Foram publicadas essa semana na revista Expressão Livre, duas matérias sobre meu trabalho! De acordo com o editor, Rodnei Carvalho, sou o paraisense que mais aparece em matérias culturais nessa revista! rsrsrs

Deixo aqui meus agradecimentos a toda a população de São Sebastião do Paraíso, e à equipe da revista.

Ah, quem quiser ler online, basta acessar o site:   http://www.revistaexpressaolivre.com/

Abraços, e até breve!

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Filosofando: à direita do Pai.

Meu nome é Bruno e garanto que, assim como o inferno está cheio de boas intenções, à direita do Pai certamente há toda sorte de inventores e artistas, o que demanda uma vastidão de cadeiras (quisera eu que esta fosse a prova do infinito conceitual) para que os mesmos tomem confortável assento eterno.
Imagino que ali (agora adentro o ramo das suposições), algum querubim já tenho posto a harpa de lado ao ouvir Bach e Mozart em pleno embate melódico com Hendrix e Stevie Vaughan, em um sarau onde BB King, T-Bone, Chester Burnett e outros parecem desatentos ao tema, porquanto questionam Rev. Gary Davis acerca das possibilidades jurídicas de trazerem Robert Johnson às mesmas cadeiras.
Percorrendo o amplo (infinito?) salão, e claro, ainda à direta do Pai, verifica-se que certamente o Filho não precisou operar nenhuma transmutação de líquidos. Isso porquê há séculos já tomaram assento os inventores do vinho e da cerveja.
E tudo segue de bom a melhor, pois quem inventou o ar condicionado também já deve ter sua cadeira em bom lugar.