Poda

Era uma roseira diferente:
Seus espinhos brotavam para dentro
Ninguém os via
Ninguém os tocava
Ninguém os sabia
E a roseira, na tentativa de gritar
Abria rosas indescritíveis
Em noites de lua, sonhava podas
Todas bem rente ao chão
Mas ninguém a podava
Abriram espaço em seu jardim
Para que todos a contemplassem
Conheceu a solidão
Seus espinhos cresciam
A dilaceravam por dentro
A cada nova estação
E ela gritava dezenas de rosas
Uma lágrima em cada botão
Quando afagavam seu caule liso
Ela se contorcia de dor
Sentia os espinhos cravando
Queixava-se abrindo outra flor
Um dia, os espinhos já grandes
Formaram nódulos pelo seu corpo
Uma espécie de tumor
Cansada, não abriu flores
Podaram-na rente ao chão
E ela conheceu um pouco
Daquilo que é não ter dor
Quis mostrar uma folha ao sol
Mas a coragem faltou
Recusou a água
Recusou o adubo
Rejeitou a terra
A mesma terra que a criou
Ali desapareceu
E todo o jardim se abriu em flor

Recadinho da Santa

Alô fortão, fodão, nervosão, dono da razão.
Alô “pros humilde” também.
Alô pra você, que domina a situação.
Pra você que abaixa a cabeça também.
Alô pra você, “cheio das manha”.

Em algum lugar do além,
“Santa Muerte” está afiando a gadanha.
Então fia.
E confia.

covs-2

5 novos poemas bem brasileiros.

Sem título

Para ler os outros 4 poemas, basta clicar no “Noticiário” acima.

Sobre o poema “Noticiário”:

“Muitas vezes, a maneira como se noticia algo alimenta monstros que a humanidade quer (e precisa) derrotar. Focalizam argumentos em situações que incitam irmãos contra irmãos; de maneira a gerar um ódio maior entre as pessoas, em substituição ao horror que deveríamos sentir em face do próprio ato de matar, por exemplo. Mas o mundo parece gostar de polêmica. De sensacionalismo. Sem perceber que isso tudo não passa de um câncer que o corrói.”

Com esperança de dias melhores,

Bruno Felix.