Lançamentos agendados!

A Menina e o Equilibrista, meu segundo livro, já tem as datas de lançamento definidas: Dia 19/04, no Unico Lounge Bar em São Sebastião do Paraíso/MG, o lugar mais aconchegante da cidade, ideal para falarmos de coisas amenas como literatura e cheiro de livro novo!

Clicando na imagem abaixo, você será redirecionado para a página do evento, onde constam todas as informações!17390599_270165403440688_1327815085610414834_o.jpg

Na sequência, seguirei para Poços de Caldas, dia 06/05, onde o livro também será apresentado e autografado durante um dos maiores e mais importantes festivais literários do país: o FLIPOÇOS (clique na imagem para visitar o site oficial e conhecer toda a programação, que, como de praxe está incrível):

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Nos vemos lá!

Abraços!

Meu escritório em 30 segundos

Pequeno tour pelo meu escritório, ao som de Tom Waits.

Recebi uma notícia tão boa, mas tão boa, que não estou me aguentando de felicidade! Espero que em breve eu possa trazer um comunicado oficial.

“There are things I’ve done I can’t erase
I wanna look in the mirror and see another face
I said never but I’m doing it again
I wanna walk away and start over again!”

Nota do autor

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Não sei exatamente como foi que a história do equilibrista e da garotinha Angelina veio parar na minha cabeça, mas lembro que foi em uma manhã morna de outubro e que acordei com a voz de uma criança gritando:

– Cuidado! O senhor vai acabar caindo!

Deve ter sido um sonho, pensei. Virei-me de lado e constatei que Nina ainda dormia pesado, a luz fraca do abajur revelava o berço onde Joana repousava tranquila, às vésperas de completar seu décimo mês de vida. Fechei os olhos na tentativa de recuperar o sono e, quem sabe, também o sonho que naquele instante vinha em lampejos desconexos em minha cabeça.

Sob um viaduto alto, um fluxo rápido de automóveis produzia um intenso ruído que me fazia revirar na cama. Eu estava na beirada, pronto para me jogar. Olhei ao redor mais uma vez, não havia nenhum carro ou pedestre circulando sobre o pontilhão. Mas por que eu me lançaria para tal destino? Havia uma forte angústia, uma falta de ar, uma tontura.

– Cuidado! – a mesma voz chamou minha atenção, e acordei do primeiro sonho.

Angelina era uma negrinha de sete anos de idade que adorava Milk-shake de morango e cantigas de roda. Mas como eu sabia dessas coisas? De repente me dei conta de que estava sonhando, o que é muito perigoso, pois quando se toma a consciência de que tudo não passa de um sonho, a linha tênue que separa os dois universos está prestes a ser rompida de supetão. Por outro lado, é como se ganhássemos superpoderes, pois descobrimos que as leis da física não são tão importantes assim.

Foi assim que eu segurei na mão daquela garotinha e me lancei em uma jornada sem volta, anotando todas as pequenas aventuras e descobertas em um pequeno caderno branco, ou cor-de-rosa, não me lembro. A verdade é que quando acordamos, os detalhes vão se desvanecendo em degradê, na velocidade do nascer do sol. Por isso, lembro-me de ter levantado antes da alvorada e de sair do quarto na ponta dos pés, a fim de preservar o sonho mágico de Joana e começar a escrever a história de Antônio e Angelina, antes que o sol clareasse minha mente a ponto de me despertar do mundo real.

 

O Mestre e o Gafanhoto (a parábola das merdas)

Certa feita, um curioso viajante
Tendo notícia da fama do erudito Lokprakash¹
-Cujo renome já se espraiava
Desde o sopé do Himalaia
Aos confins de Bangladesh-
Foi ter com o ancião.

Pouco antes do encontro
Quis a sorte do viajor
Foder Feder com a ocasião
E o lustroso sapato Dior
Pisou luzidia merda no chão
Impregnando-se em raro fedor

Ora, o elegante visitante
Quedou-se triste e vexado
Pois caprichara na toalete
Com perfume almiscarado
Mas vendo chegar o indiano
Gaguejou embaraçado:

Oh, sa-sábio mestre Vatsala
Perdoe-me os modos
Digo, Sua Santidade,
Lokprakash Vatsala
Não quero causar incômodo
Mas quis a eventualidade…

Disse isso tudo o forasteiro
Mostrando o próprio sapato
E o descalço guru, bem ligeiro
Meteu-lhe na cara um sopapo:
– Ingrato! Não vês que é auspicioso
Pisar assim, em um grande merdeiro?

Pois saiba de agora em diante
Que só não pisa na merda aquele
Que anda sempre cabisbaixo
– Mas mestre. – Retorquiu o visitante
Não sei ao certo se nisso me encaixo
Veja bem, que a bosta era grande!

– Quanto maior a bosta, maior a sorte.
Pois o homem que não a enxerga
Certamente está de cabeça erguida:
Possui metas, é sábio e forte
E não se envergonha da vida vivida.
Por isso digo: mais merda, mais sorte.

– Então sendo assim… E se fosse um cocô de vaca?
– Vaca sagrada, sorte multiplicada.
– Se fosse então, cocô de elefante?
– Cocô muito grande, sorte gigante.
– Entendi. Quanto mais cabeça erguida…
– Sim. Desde que seja o seu natural.

– Mas mestre, por favor me diga:
E se por acaso, um pombo acertar
Seus dejetos em minha cabeça?
– É sorte! – respondeu com veemência.
Apesar de que talvez seja
Incômodo de se limpar.

– Ok. Mas há erro na teoria
Pois se há auspício na altivez
E quanto mais alta a cabeça, melhor,
Talvez um pombo acertaria
Não a cabeça, mas os olhos do freguês!
E não vejo sorte em ter os olhos cagados.

Lokprakash cerrou os olhos e, após um longo suspiro, concluiu:
– Aprenda de uma vez, pequeno gafanhoto,
Que o sábio mantém a cabeça erguida
Mas nunca de forma exagerada
Pois sabe que assim age o tolo
Que de tanto a erguer não enxerga a estrada.

                               ***

¹Lokprakash Vatsala é um personagem que aparece em 4 poemas do livro “O Busto de Adão e Outras Poesias” (págs 31/33 e 49/54). Dado à incomensurável sabedoria e carisma do ancião indiano, achei justo dar vazão a novos poemas onde ele possa doutrinar.

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Lokprakash Vatsala em “O Mestre e o Peregrino” (O Busto de Adão e Outras Poesias, pág. 40) Ilustração de Arthur F. Pádua.

 

 

Haikai Novamente

Não resisti. Não sei se foi por reler Paulo Leminski essa semana, ou se foi pelas últimas postagens minhas sobre Haikai, me flagrei hoje “namorando” uma das páginas que mais gosto de meu próprio livro.

Deu até vontade de propor aqui um jogo, de cada um relatar a própria interpretação desses dois Haikais que dialogam não só com os respectivos títulos, mas também com as ilustrações de Arthur Pádua, que têm o poder de levar o leitor por um caminho que o poeta talvez não tenha pretendido. Alguém arrisca um palpite? Depois eu conto o que eu senti (e pretendi) ao escrever cada verso.

Ah, quem quiser um exemplar do livro, pode clicar AQUI.

Abraços poéticos,

Bruno Félix

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Por que gosto de Haikais

A delicadeza da construção, o minimalismo silábico que precisa fundamentalmente expressar um estado natural à maneira de uma pintura ou fotografia. São características do Haikai que me encantam, como se desafiassem o poeta ocidental a um duelo samurai ou a um ritual do chá.

Ontem escrevi dois Haikais que, muito embora desafiem o propósito original da arte (o retrato instantâneo da natureza), trazem um turbilhão (a meu ver) de significância.

No primeiro, a desconstrução da palavra no segundo verso, leva a uma reconstrução em duplo significado no último:

#Haicai ou #haikai? #Dor ou #doação? Perder ou perdoar? #poema #minimalismo

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Já no segundo Haikai, a imagem acústica formada em nosso cérebro pelo emprego da palavra “sonho”, é reconstruída nos versos seguintes.

#Haikai novamente. Meio "blue": sobre #sonhos e cimento. #poesia #maquinadeescrever #poema

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Em meu livro de poesias (LINK), há um pequeno capítulo dedicado à arte do Haikai.

Espero que tenham gostado o tanto quanto eu (pai coruja)!

Abraços,

Bruno Félix

 

Malabarismos

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O excesso explicado através do mínimo.

Por isso escolhi um Haicai para ilustrar o momento:

Há duas semanas mergulhei de cabeça no projeto literário mais gostoso que já fiz até hoje, motivo de minha ausência por aqui. Enquanto me divirto com o malabarismo de conciliar trabalho, família, música, faculdade e escrita (meu heterônimo tem exigido textos diário e pontuais), tive o insight desse belo Haicai que datilografei assim que o tempo me permitiu.

PS: dia quente e corrido aqui no sudoeste de Minas Gerais.

Abraços múltiplos,

Bruno Félix