O Silêncio da Espera

Em frente ao hospital
Um homem são espera em seu carro
Protegido do sol pelos vidros escuros
E pela barba bem aparada
Do clima, pelo ar condicionado
Do silencioso caos da cidade
Por um poema que Tom Waits canta
Em seu moderno sistema de som
No fundo ele agoniza
Enquanto escolhe
Uma caixa de vinhos por um aplicativo
Após ler as últimas notícias
Enquanto espera
Enquanto Armani o estrangula
Com a fina seda de sua gravata
E o homem continua esperando
Consciente de que tudo o que pode fazer
É esperar

Na praça ao lado
Ninguém sabe de sua dor
Nem mesmo o outro homem
Que acordou e viu um carro parado
Esperando
Enquanto ele mesmo espera por algum trocado
Protegido do sol
Pelo frio concreto do banco
E pela barba negra que nunca apara
Do clima, pelo caderno de notícias
Do caos da cidade, pelo silêncio da embriaguez total
Que lhe canta poemas em outras línguas
Enquanto a vida lhe estrangula
Com os trapos que lhe são doados
Enquanto ele espera se encontrar
Consciente de que todas as suas dores
Só hão de doer em si mesmo
Posto que ninguém o espera
E não há ninguém para ele esperar.

 

Um pensamento sobre “O Silêncio da Espera

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