Um dia para recordar

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Trinta anos atrás, formaram nesse local duas filas com as pequeninas crianças em primeira idade escolar: As meninas à esquerda e o os meninos à direita, todos apreensivos aguardando a chegada da professora. Tudo parecia muito grande e misterioso, afinal, ninguém sabia ao certo o que realmente aconteceria dentro da tal sala de aula. Pelo menos essa era a impressão de um dos meninos que estava entre os últimos da fila, bem ao lado de um canteiro com margaridas. A impaciência venceu o temor e a timidez do garoto que, com seu passo vacilante aproximou-se das margaridas e começou a despetalar uma flor, de maneira discreta e sem maldade, como um passatempo qualquer de criança.

Até que a professora chegou.

O menino parou assustado, temendo ser repreendido. Cláudia Dias, a jovem professora, apenas distribuiu sorrisos e cumprimentos, até tomar a dianteira da fila e conduzir os alunos ao primeiro dia de aula.

Dali em diante, todo o temor do menino se desvaneceu como as pétalas do jardim, que, de primavera em primavera se renovou. E de primavera em primavera, novas filas de alunos chegaram, novos mestres, novos tempos.

Retornei hoje ao colégio e, enquanto esperava o sinal para entrar na sala de aula, olhei pela janela e revi esse cenário, que fotografei. Revi o menino que esperava pela professora, um pouco assustado e ansioso, despetalando inocentemente uma das margaridas. Eu era aquele menino. De novo. Pois hoje eu não sabia ao certo o que aconteceria na sala de aula.

No sorriso que recebi de cada colaborador que me deu bom dia, pude ver o sorriso de tia Cláudia. Não há o que temer, pensei.

O sinal tocou.

Antes de ir conhecer meus alunos, lancei um último olhar sore a primeira sala de aula de minha vida e, para minha surpresa, no jardim tinha um canteiro com margaridas, no mesmo lugar.

Mentalmente, arranquei uma pétala “para dar sorte”, enxuguei minhas lágrimas e fui para a sala de aula.

 

 

8 pensamentos sobre “Um dia para recordar

  1. Pois eu ainda me lembro dos olhinhos assustados daquele menininho. E hoje é um homem, pai, esposo, músico, poeta e professor…
    Obrigada… ao menino que me permitiu ensinar-lhe as primeiras letras e ao poeta, que me arranca uma lágrima de emoção.

    Curtido por 3 pessoas

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