Sobre explicar um poema

As formas parabólicas de um poema não foram concebidas para serem explicadas posteriormente. Assemelham-se à grade de um confessionário, atuando como um filtro a turbar a vista dos interlocutores permitindo que o som/mensagem transite livremente à revelia dos demais sentidos que são distorcidos pela trama de madeira que divide os mundos. O inevitável odor de poeira e ocre nivela perfume de ricos e axila de pobres, de modo que todos que adentram a câmara em busca de compreender (sentir) as palavras/parábolas/paranoias poéticas podem se valer apenas do som e de um pouco da visão turva para receber um fluxo de sentimento (belo ou não) que o poeta eternizou através da linguagem escrita.

Escrever um poema é meter um microcosmo dentro da tal câmara escura, consciente de que o leitor que adentrar o espaço poderá eventualmente fitar sua íris entrecortada pelos vãos do biombo que os separa.

 

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s