Poema Público

corrupçãoOcioso público alvo
de um poema público
como um cão a roer um osso
alvo
não cristalino
mas alvo-leitoso

Leite.
qual o que mama na vaca pública
até se quedar
gordo
disforme
de fome
insaciável
qual o mal que lhe consome.

Vaca
é a falta de educação
é a falta que fez um tapa
quando foi a ocasião
é a pátria amarela
verde, anil
de voz presa à goela
é a puta que te pariu
sem culpa
sem anestesia
sem merecer a dor
que rasgou-lhe a púbis
doeu na alma,
na vagina,
doeu no cu.
pra você nascer,
crescer,
se alimentar
ter estudo
ter carreira
ter sucesso;
mas, por Deus!
faltaram tapas.
faltaram,
nem sei.
deve ter faltado muita coisa
até hoje falta.

Falta vergonha,
honra
–que honra?
a que talvez sua família jamais conheceu.
talvez mereçam parte da culpa.
criaram um monstro
que hoje, grande,
continua mamando
enquanto a mãe ganha
apelidos
infames,
imundos
poemas públicos.
chulos.
mas nunca tão chulos
que se equiparem ao asco
por você mesmo imputado
à sua profissão.
que outrora honrada
hoje carrega um estigma
uma marca, desgraça
feito o câncer da nação.
feito…
Não sei.

Não me cabe saber nada
me cabe o trabalho,
o Silêncio,
imposto.
imposto.
Impostos.
me cabe a televisão.
me cabe o voto, o veto
o verbo, esse não.
cabe a culpa de ser cidadão.
o medo.
a indecisão.
Me cabe ainda uma chance
de escrever um poema
e de continuar a dizer meu não.
Escrever um poema triste
Um poema cru
Um poema visceral
Público
Podre
Pobre
etc.
etc.
e tal.
_____________

Bruno Félix

Autor do Livro “O Busto de Adão e Outras Poesias”

Um pensamento sobre “Poema Público

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