Resenha – O busto de Adão e outras poesias

“O busto de Adão e outras poesias (Chiado, 2015, 127 p.), é de uma sensibilidade incrível. Com uma pegada direta, irônica, rápida, e por vezes romântica, Bruno não deixou a desejar em nenhuma poesia.”
Confira a resenha escrita por Daniela, a Bibliotecária Leitora!

Bibliotecária Leitora

Olá pra vocês, tudo bem?

Sempre digo que é difícil resenhar um livro de poesia. E quando eu gosto então?! Vixi! Eu já me enrolo toda pra falar de livros que gosto, imaginem de poesia haha

bustoO busto de Adão e outras poesias (Chiado, 2015, 127 p.), do autor parceiro do blog, Bruno Felix, é de uma sensibilidade incrível. Com uma pegada direta, irônica, rápida, e por vezes romântica, Bruno não deixou a desejar em nenhuma poesia. Alguns escritos tem um apelo social – recheado de ironia -, alertando para coisas que deixamos passar, ou coisas que nos apegamos tanto, que era melhor ter deixado passar. Fiz muitas marcações, e escrevi algumas anotações também, de pensamentos que eu já tive, mas que ele, sabiamente, soube transmitir em palavras. A poesia Um brinde de amanhã (foto abaixo) me trouxe uma sensação tão boa de liberdade, de desapego. Fiquei pensando: sabe aquela roupa…

Ver o post original 304 mais palavras

Frio, vinho e poesia.

salon-vin-gastronomie-renne1Friozinho cada vez mais persistente, noites regadas a um bom vinho cada vez mais frequentes.

Estava eu organizando meus escritos para o próximo livro (um projeto 8% concluído e outro possivelmente a 60%) quando me deparei com um poema quase pronto, cujo tema é justamente esse néctar dos deuses que nos aquece os corações e aproxima as pessoas com sua vasta gama de possibilidades, aromas e sabores. Talvez eu devesse deixar esse poema envelhecer nos barris magnéticos de cobalto do meu HD por mais uns meses, para que aos poucos eu pudesse amadurecer essa idéia e atingir um resultado melhor. Porém, nos últimos dias, tive o prazer de degustar vinhos tão agradáveis com minha esposa e amigos, que resolvi publicar aqui no blog meu poema “Confraria”, assim mesmo do jeito que está.

CONFRARIA

Ó venturoso filho de Júpiter que

Pioneiro apuraste o precioso néctar

Da sagrada fruta, bago por bago

Assim te saúdo: Evoé Baco!

Ao violáceo suco divino

Escreverei pouco, porém com fé

Qual portentoso paladino

A toda voz evoco: Evoé!

Porque sempre que vem a mesa

Um suculento filet mignon

Há que se abrir na certeza

Um bom Cabernet Sauvignon

Conforme o tempero, vai de Merlot

Que, aliás, com queijos é uma beleza

Ou quem sabe o famoso Bordeaux

Este também rima com bolognesa!

Frutos do mar ou peixe assado

Seja um salmão ou um tucunaré

Será sempre bem acompanhado

Se servido com um Chardonnay.

Ou um Riesling, conforme o paladar

Se quiser ousar, sirva um bom Rosé

Ou se o desejo for avermelhar

Sempre cabe um Beaujulais

Um bom churrasco ou grelhado

Tanto bovino quanto suíno

Fica muito melhor quando ao lado

De um grande Malbec argentino

E aquela carne mais gorda

Ou um queijo suíço gruyère

Parmesão, gorgonzola, gouda

Tudo vai bem com o Carménère

E viva o vinho Italiano!

E viva o vinho português!

Barolo, Chianti, Brunello,

Trincadeira, Castelão, Aragonez!