De coração.

Talvez eu seja um poeta assim, à moda antiga.

Gosto de rimas, whisky, sonetos, um bom vinho.

Durmo mal, como bem, acordo cedo quando convém.

Tenho a poesia como uma boa inimiga

Não entro em briga, mas muitas vezes brigo sozinho.

Escrevo quando triste.

Feliz, escrevo também.

Às vezes o faço ferido.

Às vezes por ferir alguém.

Às vezes, poeta fingido.

Às vezes fugido do além.

Um tapa no pé do ouvido

Carícias, momento zen.

Sigo assim, à moda antiga: obrigado, passo bem.

Da velha escola só não quero a tuberculose.

Quero morrer assim, à moda antiga: do coração.

E a conversa no velório vai seguir mais ou menos assim:

Foi infarto do miocárdio? Ele tinha hipertensão?

Não.

Parece que foi um verso obstruído

Por um acúmulo de poesia no peito

Diz que uma estrofe deu defeito

Morreu com o bom coração partido.

7 pensamentos sobre “De coração.

  1. Pingback: sorteio de um livro de poesias brasileiras (grátis) | Bruno Felix

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